Tudo novo e velho ao mesmo tempo
maio 28, 2016
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| Imagem Sofie Olejnik, via Os Achados |
Eu morei longe da minha família por dois anos. Durante esse tempo, várias vezes eu acreditei que estivesse com problemas sérios. Chorava, tinha "crises", me desiludia com a vida. Entrei na terapia (coisa que não me arrependo, todos deveriam fazer terapia) e aos poucos tudo foi entrando nos eixos e puder morar longe sem me sentir sozinha, pelo contrário, sempre me sentindo plena.
No final do ano passado compartilhei momentos e sensações de um problema real, com pessoas reais, pessoas que eu queria abraçar e guardar dentro de um potinho, pra poupar de todo o sofrimento. Em vários momentos percebi o quanto eu fui ingênua com aquilo que eu chamava de "problema".
No fim de 2015 voltei a morar na casa da minha mãe. Foi aí que eu senti o choque. Emprego novo, casa "velha", mas meu quarto não parecia ser o mesmo, por mais que tudo estivesse exatamente no mesmo lugar em que eu havia deixado. Eu não me encaixava mais nele. Nos dois anos que passei longe de casa mudei tanto que meu quarto não me acompanhou.
Acabei me afastando daquelas pessoas com problemas reais, o que deixou tudo mais estranho ainda, pois no meu coração aquelas pessoas já haviam feito morada fixa.
Tá tudo bagunçado. A ausência está sempre presente. Aqui na minha cidade tudo continuou exatamente do mesmo jeito. E eu, que cresci aqui, me sinto perdida. Tudo novo e velho ao mesmo tempo.

1 comentários
Estar sozinho é uma ótima oportunidade para o auto-conhecimento. E realmente, tu olha pra foto da parede do quarto velho, e te pergunta, "quem era aquela pessoa?"
ResponderExcluirObrigada pelo comentário! ♥